A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 avançou no Congresso Nacional e passou a gerar atenção em diferentes setores. Entre eles, está o mercado condominial, que pode sentir impactos diretos na rotina operacional e no orçamento dos condomínio
A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, em até 14 meses, e permite o fim da escala 6x1. O texto ainda segue para análise no Senado, mas o tema já acende um alerta para síndicos, administradoras e moradores.
Nos condomínios, o assunto merece atenção porque grande parte da operação diária depende de mão de obra. Porteiros, zeladores, auxiliares de limpeza, profissionais de manutenção e equipes terceirizadas são essenciais para garantir segurança, organização, limpeza e funcionamento das áreas comuns.
De acordo com a AABIC, Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo, os gastos com mão de obra representam, em média, entre 55% e 60% do orçamento mensal dos condomínios com equipe própria.
Esse dado mostra a dimensão do impacto. Diferentemente de uma empresa, o condomínio não possui margem de lucro para absorver aumentos de custo. O funcionamento financeiro é baseado no rateio entre os condôminos. Ou seja, quando uma despesa aumenta, esse valor tende a refletir diretamente na cota condominial.
Com a redução da jornada e a possível extinção da escala 6x1, muitos condomínios poderão precisar ampliar suas equipes para manter o mesmo nível de atendimento, especialmente aqueles que contam com portaria presencial 24 horas.
Esse impacto não envolve apenas salários. Também entram na conta encargos trabalhistas, férias, 13º salário, FGTS, provisões e outros custos indiretos. Segundo estimativa da AABIC, o aumento no orçamento condominial pode chegar a até 15% em empreendimentos com equipe própria e estrutura mais enxuta.
Nos condomínios que utilizam serviços terceirizados, os efeitos também podem aparecer. As empresas prestadoras de serviço terão que reorganizar escalas e estruturas operacionais, o que pode gerar reajustes nos contratos vigentes.
É importante destacar que a busca por mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal é uma discussão legítima. No entanto, no ambiente condominial, qualquer mudança estrutural precisa ser acompanhada de planejamento técnico, financeiro e operacional.
Síndicos e administradoras deverão avaliar cenários, revisar contratos, estudar escalas, analisar custos e comunicar os moradores de forma transparente. Também será necessário identificar quais serviços são indispensáveis, onde existem possibilidades de ajuste e como manter a segurança e a qualidade da operação sem comprometer a saúde financeira do condomínio.
A palavra-chave, portanto, é planejamento.
Antes de qualquer decisão, é fundamental simular impactos, discutir alternativas em assembleia, revisar contratos e buscar soluções que preservem o equilíbrio entre custo, eficiência e qualidade dos serviços.
Afinal, condomínio não para. Existe portaria, limpeza, manutenção, segurança, atendimento, circulação de moradores e funcionamento das áreas comuns todos os dias.
O avanço da proposta sobre a escala 6x1 não deve ser visto apenas como uma discussão trabalhista. Para os condomínios, trata-se também de um debate sobre organização, sustentabilidade financeira e preparação para uma possível nova realidade operacional.
Na Zampieri Condomínios, acompanhamos de perto os temas que impactam diretamente a gestão condominial para orientar síndicos, conselhos e moradores com clareza, responsabilidade e transparência.
Uma boa administração não espera o problema chegar. Ela se antecipa, planeja e prepara o condomínio para tomar decisões mais seguras.